Conclusão - Considerações Finais
O governo de Artur Costa e Silva, com agitações políticas, torturas, prisões e mortes relacionadas ao Ato Institucional nº 5 (AI 5), que concentrou poderes no Executivo (Presidente da República) e retirou poder do Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, além de perseguições ao próprio poder executivo e as militares e civis contrários. Isso mostrou o caráter arbitrário do governo, impedindo manifestações para analisar e discordar, dificultando até mesmo avaliar se os atos positivos foram realmente reais ou manipulados. Mesmo assim, estando corretas as informações sobre combate à inflação e aumento das relações econômicas exteriores, além de reformas administrativas e expansões nas comunicações e transportes, podemos dizer que nestes aspectos ele foi aparentemente positivo e melhorou a situação do país.
Os resultados econômicos do crescimento do PIB (chegando a 11% em 1968), porém, não parecem ter ajudado a todos, porque a concentração de renda aumentou e o governo ficou ainda mais endividado, o que pode ter aumentado o descontentamento da população e resultado em atos como a Frente Ampla, a "Passeata dos Cem Mil', a proibição de protestos, as greves em Minas Gerais e São Paulo, ou seja, apesar da política desenvolvimentista para aquecer a economia pelo consumo e investimento público, o "milagre econômico" contou com o aumento de empresas estrangeiras, controle do reajuste de preços e salários, o que mostra que a intenção provavelmente era atender às exigências de empresários, industriários nacionais e, principalmente, estrangeiros, sem pensar em compartilhar os resultados com a maioria do povo.
Ao que parece, mesmo entre os que consideraram válido o movimento de 1964, na esperança de desenvolvimento do país, houve um grupo considerável de pessoas descontentes, que acabaram mobilizando grupos contra o governo. Um governo sem apoio político, sem apoio econômico, sem capacidade de gerar apoio da maioria da população, lutando até mesmo contra os que apoiaram sua existência, não tem muito para onde crescer por meios democráticos, e por isso deve ter visto como única saída aumentar a repressão, perseguindo movimentos estudantis e operários.
De qualquer forma, estas considerações se baseiam em quem fala a história de um lado que possui também suas ideologias, e seria necessário acesso aos originais e a várias considerações de pessoas que dominam os temas para ter uma posição mais certa, mas com o que tivemos em mãos, pode-se considerar que foi um período de quase nenhuma democracia, economia ruim, queda do poder de compra dos trabalhadores, insatisfação popular dos estudantes e trabalhadores. Como muitas informações costumam ser manipuladas até os nossos dias, não é estranho ver que informações positivas de um governo podem ser apenas uma visão imposta para as pessoas, principalmente quando elas não podem questionar e falar suas opiniões sobre um governo ou decisões de qualquer poder no país, assim como informações negativas podem ser manipuladas para desqualificar bons governos que não atendam aos pensamentos de grupos específicos. Esperamos um dia poder desenvolver ainda mais nossa capacidade de estudar para tentar saber quando realmente uma informação pode ser considerada verdadeira, porque este foi um caso em que fica difícil determinar o que foi real e o que foi inventado pelo governo de Costa e Silva, e talvez até contra ele, porque a revolta também pode levar a exageros.